O Palmeiras, desfalcado de sua dupla de zaga titular, passou maus bocados nas bolas aéreas diante de um Athletico que fez apenas seu terceiro jogo com os titulares no ano. A equipe alviverde só não perdeu o jogo de ida da final da Recopa graças ao desempenho de Weverton, com defesas importantíssimas.

Dudu acumulou funções defensiva e ofensiva diante do Athletico – Cesar Greco/Palmeiras

Na coletiva pós-jogo, uma frase de Abel Ferreira saltou-me aos olhos. Segundo ele, faltou “tranquilidade na hora de fazer o gol”.

Permita-me discordar, prezado Abel. Não há o que se falar em calma, e sim em qualidade para concluir as jogadas. O ataque teve maior posse de bola, criou oportunidades e finalizou mais, porém segue ineficiente pela ausência de um homem-gol.

Em boa parte da partida, Dudu sofreu para marcar o habilidoso lateral Abner, que, aos montes, distribuía cruzamentos precisos. O camisa 7, com suas arrancadas em velocidade, levou algum perigo no ataque. Mas esteve muito distante dos companheiros. Quando precisa arrematar, seu aproveitamento não é o mesmo.

Rony, apesar de ter tido uma ótima chance de fazer o segundo gol palmeirense – parou no excepcional goleiro Santos -, teve muito trabalho com Marcinho até a substituição de Atuesta por Wesley. Depois disso, retornou à sua função de centroavante, ocupada por Raphael Veiga até aquele momento. O camisa 23 voltou a atuar como meio-campista e mostrou novamente sua habitual competência da marca do pênalti ao garantir o 2 a 2 no apagar das luzes.

Ao recorrer pela segunda vez a Veiga como falso centroavante, Abel Ferreira reafirma sua ideia de uma estratégia para cada partida e variações táticas de um jogo a outro. A opção do português, porém, escancara a falta de um camisa 9 de ofício competente o suficiente para ser a referência da equipe. Contra o Furacão, as bolas cruzaram a área athleticana sem ninguém para completar para a rede.

Rafael Navarro entrou no fim, é verdade, mas parece longe de ser a solução. Deyverson, por sua vez, foi herói na decisão da Libertadores, porém é outro que não inspira confiança.

Depender de gols inventados por jogadores de outras posições pode funcionar em casos excepcionais, mas não deve servir de regra. Deu certo na Libertadores. No Mundial, não.

E no jogo de volta da final da Recopa contra esse organizadíssimo Athletico? E no Brasileirão, Copa do Brasil e Liberta-22 que estão às portas?

A solução precisa ser encontrada. O quanto antes.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jogada10.

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