Tudo, no futebol atual, gira em torno da Libertadores, pouco importa o que há ao redor. Pela presença, em breve, entre nós do fantástico La Calera, o Flamengo mandou um meio-catadão para enfrentar o Volta Redonda. E fez o torcedor sofrer sem necessidade, diante de um adversário apenas organizado e esforçado, que conseguiu vencer por 2 a 1, sem muito merecimento. Alias, há outro fenômeno no futebol atual: o Flamengo faz de tudo para entregar, mas os demais não aproveitam, e o clube acaba levando, como fez novamente na Taça Guanabara.

No jogo que valeu mais um título, Ceni poupou titulares, colocando-os no segundo tempo Alexandre Vidal / Flamengo

Para torturar o torcedor, e a si próprio, o treinador faz o contrário: começa com os reservas, deixando os titulares para depois, o que é de uma ignorância sem par, dado que o desgaste, caso seja necessário utilizá-los, como ocorreu, será maior. A partida vai ficando mais difícil a cada espaço de tempo, e cansativo para o time que tem a obrigação de ganhar, antes e depois da entrada dos principais jogadores. Não há explicação para guardar o que há de melhor quando o seu próximo compromisso será terça-feira, à noite, contra um representante do segundo escalão do Chile, em pleno Maracanã.

O Flamengo começou ligado, buscando o gol, embora não tenha criado uma oportunidade de fato. Mas aos poucos o Volta Redonda foi ganhando coragem, tentando tocar a bola, mantendo os contra-ataques pontuais, com Alef Manga, pela direita. Aos 37 minutos, Gabriel bateu para fora, na única chance rubro-negra, até ali. A postura da equipe do interior, a propósito, era inútil, pois o empate, que no papel dá, durante o duelo, a possibilidade de conquistar o título, será dissolvida com a provável vitória do Fluminense sobre o Madureira.

Aos 42, Gustavo Henrique lançou Michael livre, e o atacante bateu para fazer 1 a 0, aproveitando a falha de Andrey. Daí o Volta Redonda resolveu apostar na fragilidade freqüente da zaga adversário, e antes do intervalo chegou ao empate, com Bruno Barra, concluindo cobrança de escanteio. Aliás, levando-se em conta que não houve mudança para o segundo tempo, a perspectiva continuou a mesma: o Flamengo trocando passes, o Volta Redonda recuado, e a dificuldade para mexer no placar. Para ampliar a tortura, generalizada, a equipe aurinegra não saída de trás, e Rogério Ceni via o tempo passar sem providenciar a entrada dos titulares que estavam no banco. É como você ter um Corvette zero quilômetro, mas preferir uma Simca Chambord 1963.

Aos 17 minutos, Matheus França rolou para Vitinho, que utilizou, da meia-lua, o seu único recurso, o chute de longa distância, para fazer 2 a 1. Mas a turma que está trêmula com a chegada do La Calera continuou no banco. E o Volta Redonda não entregou os pontos, o que manteve o jogo disputado. Restando 19 minutos, o técnico do Flamengo lançou Arrascaeta, Bruno Henrique e Diego, ou seja, o oposto do que deveria ter ocorrido. Neto Colucci também mexeu, para dar fôlego ao time, que não ali mais nada a perder. Mas é fato que no entra e sai, de ambos os lados, não aconteceu nada. E o Flamengo, que perdeu quatro pontos para times pequenos, e seis para os grandes, ficou com a taça. Inacreditável, mas rigorosamente verdadeiro.

Comentários