Arrascaeta, um dos melhor jogadores do Rubro-Negro, talvez o mais criativo, desde que Zico parou, fez falta em Moisés Corozo, por trás, e o árbitro, marcou o pênalti que levou o Flamengo ao triunfo por 3 a 2. Até nisso o uruguaio é monstro.

Pois é. Quando há uma situação amplamente favorável, em terreno adversário, na altitude, a providência evidente é marcar quantos gols forem possíveis. O time da Gávea fez um grande primeiro tempo. Ou aproveitou o fato de a LDU, anestesiada e irreconhecível, ter visto o jogo sem pagar ingresso.

Não seria absurdo lembrar que na vitória de 3 a 0 sobre o Volta Redonda, no sábado, Diego Alves fez pelo menos quatro defesas espetaculares. Goleiro que no duelo de Quito não voltou para o segundo tempo. Assim, o castigo para a vantagem de apenas 2 a 0 veio na etapa final. A LDU chegou ao empate. E poderia ter vencido. Mas não o fez. Assim, tratem de renovar o contrato de Arrascaeta com rapidez.

Curiosamente, a LDU, que jamais permitiu intimidação em casa, entrou temerosa. Logo aos três minutos, tomou um gol, de Gabriel, concluindo ótima jogada de Éverton Ribeiro, e ficou ainda mais presa em campo, deixando o Flamengo tocar a bola. A atuação do time da casa era tão dispersa que Bruno Henrique, aos 30, fez 2 a 0, com um chute espetacular de fora da área.

E ao contrário do que é possível imaginar, a situação passou a ser preocupante, porque restava uma hora de jogo, e temer pela reação da LDU era o óbvio, até pelo fato de o duelo ocorrer na altitude. Não dava para acreditar que a equipe equatoriana, que tem retrospecto favorável na Libertadores, nas últimas duas décadas, mostrasse tal apatia. Para piorar, batia a valer, e tomou três cartões amarelos em 10 minutos.

Ao fim do primeiro tempo, é provável que o treinador Pablo Repetto tenha sentido uma sensação de alívio, pois além de não ter nenhum jogador expulso, o que em dado momento pareceu próximo, seu time perdia por apenas 2 a 0, ou seja, dava para articular uma mudança radical para a segunda etapa, o que fatalmente, não seria difícil prever, deveria ocorrer.

Pois o uruguaio fez três mudanças, pôs fim ao esquema 3-5-2, e mandou o time atacar. E Rogério Ceni trocou Diego Alves por Hugo Souza, sinal evidente de tragédia. Aos cinco minutos, Cristian Borja diminuiu para 2 a 1. O Flamengo retraído, passou a apostar nos contra-ataques, atraindo o adversário. E o empate passou a ser questão de tempo. Aos 15, como previsto, Luis Antonio Amarilla não teve o menor problema para cabecear livre: 2 a 2. Não há retaguarda que possa suportar Hugo Souza – a bola passa sempre voando por ele – e Bruno Viana juntos. Para quem conhece futebol, uma virada era o óbvio. Pouco depois dos 20 minutos, a equipe carioca ensaiou sair do marasmo. Teve duas faltas frontais ao gol de Adrian Gabbarini, mas jogou no lixo. A propósito, qualquer adversário com um mínimo de qualidade, sem receio do Flamengo, é capaz de assustar.

Aos 36, como dito, o árbitro, compatriota de Arrascaeta, assinalou pênalti. Gabriel cobrou e fez 3 a 2. Já se foi o tempo em que os homens de preto metiam a mão escancaradamente no visitante. Os jovens não têm idéia do que era isso em Libertadores. O futebol hoje é muito profissional. E não vale a pena se vender por pouco. Mas o jogo não havia acabado. Hugo Souza ainda teve oportunidade para falhar em bolas cruzadas. Ele é um horror. Mas não conseguiu atrasar a vida do Flamengo.

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