O Flamengo atual é um time curioso, pois ganha e apanha com a mesma facilidade. Hoje, até abrir o placar, parecia que era dia de sofrimento, mas a exemplo de outras ocasiões, a coisa virou de repente. E apesar da atuação modesta, até pelo resultado, que está longe de garantir classificação, venceu por 2 a 0. Acredite: o jogo será terrível em Guayaquil.

Quando você vê Andreas e Vitinho no meio, e Arrascaeta fora, já é suficiente para projetar a dificuldade que vem pela frente. Ao perceber que vários jogadores não atuam regularmente faz tempo, que o time cumpre tabela no Brasileiro, e que David Luiz será o zagueiro, a possibilidade de tragédia amadurece. Ao lembrar que o Barcelona é um franco-atirador, pois foi além da expectativa, a desgraça passa a ser quase real. Só falta o jogo para confirmá-la.

Se você não viu, vale dizer que o Barcelona anunciou apenas dois delanteros, ou seja, atacantes, em sua página oficial. Doze eram homens do meio. No entanto, o time surpreendeu, pois não começou retrancado, como previsto, tanto que foi corajoso, desperdiçando pelo menos três oportunidades em 15 minutos. Em uma delas, Mastriani bateu firme, e o torcedor viveu aquela fração de fatalidade, mas a bola, ora vejam, saiu. Pois é. Vai que os equatorianos marcam e a barba cresce. Mas como no futebol não há o se, o Flamengo mal ou bem acabou aproveitando os espaços que os gringos deixavam, e Bruno Henrique fez 2 a 0. A estratégia audaciosa do Barcelona desmoronou, não só pelos gols que tomou, mas porque Nixon Molina se perdeu pelo nome e renunciou ao jogo, acertando o artilheiro por trás.

E lá veio o Barcelona para o segundo tempo em situação bem distinta, com um jogador a menos, e em desvantagem evidente no resultado, sacando – não se sabe o motivo de fato – o principal jogador, Damian Diaz, pois a entrada de alguém para suprir a ausência de Molina era óbvia. É provável que o treinador tenha dito aos comandados. “Pô, o time deles tem David Luiz e Vitinho e vocês não conseguem ganhar?”.

Humilhados, os caras voltaram querendo dar a resposta e quase diminuíram. Diego Alves fez a sua sexta defesa. Aos 57, Renato Gaúcho, que ouviu a voz de Fabian Bustos, tirou os dois. Mas é fato que o Flamengo precisava aproveitar que tinha 11 contra 10, e o placar ruim para os equatorianos, para liquidar o confronto.

E o Barcelona continuou mais perto do primeiro do que adversário do terceiro. Das duas uma: ou o animador de auditório mandou pisar no freio ou o time da Gávea jogava efetivamente mal. O príncipe belga quebra qualquer sequência, pois erra praticamente tudo, e Bruno Henrique cansa após 60 minutos. A torcida, muda, parece que advinha: tem que fazer pelo menos mais um para entrar quase tranquilo em Guayaquil. Com esse placar, haverá muito sofrimento por lá, pois é preciso lembrar que o Flamengo levou dois gols do La Calera, no Chile, e não oferecerá problemas para o adversário fazê-los no Equador.

Vale lembrar que também existe a possibilidade de o Flamengo marcar por lá, mas fica a expectativa, de quem conseguirá o feito no momento mais adequado. Não se trata de pessimismo, mas basta buscar a hipótese do segundo parágrafo do texto para esse final. Ah… lá também terá público.

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*As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do site Jogada10

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