É provável que a relação anunciada hoje por Tite seja diferente da que realizará para a Copa do Mundo, pois parece que o técnico ainda pretende fazer experiências nos amistosos na Ásia, dado que restam pelo menos cinco meses para o torneio do Qatar.

Na realidade, mesmo você, que acompanha o futebol razoavelmente, poderá cruzar com vários desses jogadores, ao vivo, sem conseguir reconhecê-los. Eles podem até representar seus clubes com alguma qualidade, até porque estão na Europa, e em gigantes como Juventus e Manchester United. Mas estão longe da condição de ídolo.

A impressão que tem hoje, em relação à Seleção, é a de que basta jogar um pouquinho mais para ter direito a uma vaga. Há, nessa lista, na prática, apenas três nomes que são inquestionáveis: Marquinhos, Neymar e Vinícius Júnior. Levando-se em conta o nível atual, os outros, quase todos, estão muito próximos. E Tite sabe manobrar a situação com maestria. Ele jamais dirá, mas tem plena consciência disso, pois se você dispensar fulano e convocar sicrano não fará a menor diferença.

A propósito, raras vezes é possível acompanhar a uma entrevista, como foi a de hoje, na qual absolutamente nada do que se diz pode ser aproveitado. Não se discute a lembrança ou o esquecimento de craques, mas de jogadores comuns, que sem muitos problemas, poderão ser encontrados em clubes brasileiros.

O ideal aqui seria descartar um exercício de nostalgia. Mas, diante do quadro atual, isso é inevitável. Em 1978, tivemos as ausências de Luiz Pereira, Falcão, Júnior, Marinho Chagas, Carpegiani e Paulo César Lima. Os exemplos são muitos em outras ocasiões. Mas vamos dar um salto: em 2010, para ficar mais perto, as de Paulo Henrique Ganso e Neymar.

Outro dos grandes problemas da Seleção, nos tempos atuais, é a dificuldade que a CBF tem para agendar compromissos contra os grandes adversários da Europa, eventualmente candidatos ao título mundial, o que piora o nível, pois a mediocridade, além daquele continente, e à exceção da Argentina, é geral.

Até onde se sabe, resta uma convocação, a última, que será para o Mundial. E creia: não será muito distinta da que Tite fez nesta quarta-feira (11). E há a expectativa, não importa qual seja a lista, a de que o Brasil realize uma Copa semelhante à de 2018, com altos e baixos, sem muita emoção, E existe ainda a possibilidade de enfrentar os gigantes europeus de igual para igual, pois, cá entre nós, a diferença não é efetivamente um abismo, tanto que seis jogadores da lista do técnico brasileiro estão nos dois finalistas da Liga dos Campeões, e outros tantos integram os elencos de outros clubes que poderiam estar nessa decisão.

O torneio do Qatar valerá como uma grande festa, como quase sempre são as Copas, com zebras isoladas e surpresas efetivas – a Croácia é a atual vice mundial – mas parece que futebol de alta qualidade é uma exigência a ser descartada. Basta ver a convocação de Tite.

Dúvida – Um cidadão me perguntou sobre a presença de Luiz Felipe Scolari no Atlético / PR. O que tenho a dizer é que fico muito satisfeito ao vê-lo empregado em algum clube. Pois só assim tenho a certeza absoluta que não estará no meu.

Brasileiro – São duas, por ora, as surpresas do campeonato, o Santos lá em cima, e o Fortaleza, lá embaixo. Vamos esperar mais duas rodadas para uma análise geral.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jogada10.

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